Desde que vim para Lisboa, há tantos anos que não interessa quantos, que ainda só houve um Natal, o de 2010, que não foi passado na Serra e confesso que não gostei. Os meus pais vieram cá, correu tudo bem, mas senti falta da casa mãe, da lareira, do frio serrano, da fogueira de Natal em frente da Câmara Municipal... Enfim, senti falta de casa.
Este ano, embora sem muita surpresa, voltaram-me a trocar as voltas. Honey, que trabalha por turnos, vai trabalhar dia 24 até à meia noite.
Quando ele me disse, não sei se fiquei mais triste por não podermos ir lá acima, ou se pelo facto de ele ter que passar a noite da Consoada a trabalhar. No entanto, e passados poucos instantes, caiu a ficha e mandei a tristeza para as urtigas porque tudo na vida é uma questão de ponto de vista, senão vejamos.
Se ele está a trabalhar, ainda que na noite de Natal, é bom sinal. É sinal, que nos tempos difíceis que atravessamos, ele tem trabalho. Para além disso, e continuando na mesma linha de pensamento, teremos concerteza muitas outras noites de Consoada juntos pela vida fora.
Outro aspecto que me estava a escapar, e que é sem dúvida o mais importante, é que o Natal é onde a minha família estiver e como tal, se ele fica, eu também fico, e se nós ficamos, os meus pais vêm por aí abaixo para passar o Natal connosco, a família estará reunida e isso sim é que é importante.
O onde e o como não importam, o que importa, é que estaremos todos juntos e isso é que é para mim a verdadeira celebração do Natal.

